A conta é simples: some o consumo da placa de vídeo com o do processador, acrescente cerca de 100 W para o resto das peças e adicione uma folga de 30%. Para a maioria dos PCs com placa de vídeo de entrada, isso dá algo entre 500 W e 650 W.
O que quase ninguém avisa é a parte mais importante: o número escrito na fonte pode ser mentira. Fontes genéricas sem certificação costumam entregar bem menos do que anunciam, e é aí que mora o risco real de queimar o resto do computador.
A fonte é a peça mais ignorada de uma montagem e a única que, ao falhar, pode levar as outras junto. Vale entender os dois números que importam (potência e selo) antes de olhar preço.
O que a fonte faz (e por que ela é a peça mais crítica)
A fonte converte a energia alternada da tomada em corrente contínua nas tensões que as peças usam: 12 V para placa de vídeo e processador, além de 5 V e 3,3 V para o resto. Ela é a única peça ligada em todas as outras.
Isso explica por que ela é crítica. Uma fonte ruim não entrega apenas menos energia: ela entrega energia instável, com oscilações que causam reinícios do nada, travamentos aleatórios e, no pior caso, danificam placa-mãe, SSD e placa de vídeo. Economizar aqui é o tipo de escolha que sai cara depois.
Como calcular quantos watts você precisa
O cálculo real é mais simples do que parece, porque só duas peças consomem de verdade:
- Placa de vídeo: é a maior consumidora. Procure o consumo (TDP ou TGP) do seu modelo, geralmente entre 75 W (entrada, sem conector extra) e 300 W ou mais (topo de linha). Placa usada popular engana nesse ponto: a RX 580, por exemplo, parece barata até você somar os 185 W dela e o conector de 8 pinos que a fonte antiga não tem.
- Processador: a segunda maior, normalmente entre 65 W e 125 W nos modelos comuns de desktop.
- O resto: placa-mãe, memória, SSDs, coolers e ventoinhas somam algo em torno de 100 W no total.
- Folga de 30%: some tudo e acrescente essa margem.
A folga não é exagero, e tem dois motivos concretos. O primeiro é que a fonte é mais eficiente trabalhando entre 50% e 80% da capacidade, e não no limite.
O segundo ponto de atenção são os picos instantâneos: placas de vídeo modernas puxam por frações de segundo bem mais que o consumo médio, e é justamente nesses picos que uma fonte no limite desliga o PC.
Um exemplo prático: uma placa de 150 W + processador de 95 W + 100 W do resto = 345 W. Com 30% de folga, chega-se a cerca de 450 W, então uma fonte de 500 W de qualidade atende com tranquilidade.
A tabela rápida por tipo de PC
Se você não quer fazer conta, essas faixas resolvem a maioria dos casos:
| Tipo de PC | Fonte recomendada |
|---|---|
| Escritório, sem placa de vídeo dedicada | 350 a 450 W |
| Jogos com placa de entrada (RX 6600, RTX 3050) | 500 a 550 W |
| Jogos 1080p/1440p (RTX 4060, RX 7600) | 600 a 650 W |
| Jogos de alto desempenho (RTX 4070, RX 7800) | 750 W |
| Topo de linha (RTX 4080/4090) | 850 a 1000 W |
Repare que passar muito disso não traz benefício: uma fonte de 1000 W num PC que consome 300 W não deixa nada mais rápido, só custa mais caro e trabalha fora da faixa eficiente.
O selo 80 Plus: o que ele garante de verdade
O 80 PLUS é uma certificação de eficiência: ela mede quanto da energia puxada da tomada vira energia útil, em vez de virar calor. Uma fonte 80 Plus entrega no mínimo 80% de eficiência, e os níveis sobem a partir daí:
| Nível | Eficiência aproximada |
|---|---|
| 80 Plus (White) | 80% |
| Bronze | 82 a 85% |
| Silver | 85 a 88% |
| Gold | 87 a 90% |
| Platinum | 90 a 92% |
| Titanium | 92 a 94% |
Sendo honesto sobre o que isso significa na prática: a diferença de conta de luz entre um Bronze e um Gold é pequena para uso doméstico, e não é por economia que o selo importa.
É importante destacar também que o valor real do selo é ser um atestado de que a fonte foi testada por um laboratório independente e entrega o que promete. Para a maioria, Bronze já é suficiente, e Gold compensa em PCs mais parrudos, que ficam ligados muitas horas. A lista oficial de certificações e produtos aprovados fica no site do programa 80 PLUS.
O risco real: fontes genéricas sem selo
Aqui está o ponto que os comparativos evitam. Uma fonte genérica anunciada como "500 W" muitas vezes entrega bem menos que isso de forma contínua, porque o número no rótulo é um pico teórico, não a potência real sustentada. Você compra 500 W e recebe, na prática, algo em torno de 250 W a 300 W.
O que acontece com um PC nessa situação:
- Desligamentos do nada quando a placa de vídeo exige mais, principalmente em jogos.
- Reinícios e travamentos aleatórios que parecem defeito de software, e a pessoa formata o PC sem resolver.
- Componentes danificados, porque uma fonte sem as proteções adequadas (contra sobretensão, sobrecorrente e curto-circuito) pode levar junto placa-mãe, SSD ou placa de vídeo ao falhar.
Dois cuidados que evitam tudo isso: procure o selo 80 Plus e o PFC ativo na especificação (as fontes muito baratas usam PFC passivo ou nem informam), e desconfie de preço fora da curva. Uma fonte certificada de 500 W custa bem mais que uma genérica de "700 W", e essa diferença é o próprio aviso.
O vídeo do canal MW Informática mostra na prática o que acontece quando a fonte não dá conta do PC. Vale a pena dar uma conferida no conteúdo e escolher o modelo ideal para suas necessidades.
Modular ou não modular?
Essa escolha é sobre praticidade, não desempenho. Na não modular, todos os cabos são fixos, e os que você não usa ficam amontoados dentro do gabinete, atrapalhando o fluxo de ar.
Na modular, você conecta só os cabos necessários. A semi-modular é o meio-termo: os cabos essenciais são fixos e o resto é opcional.
Em termos de energia entregue, não há diferença. Modular custa um pouco mais e vale para quem tem gabinete com visor ou quer organização melhor. Se o orçamento está apertado, prefira investir no selo e na potência certa, não na modularidade.
Vou colocar uma placa de vídeo: a fonte atual aguenta?
Este é o cenário mais comum de upgrade, e dá para checar sem chute:
- Veja a potência real da sua fonte. O rótulo na lateral traz a potência e, mais importante, a corrente na linha de +12V. Multiplique os amperes do 12V por 12 para saber quantos watts a fonte realmente entrega onde importa.
- Confira o consumo da placa nova e veja se sobra folga com o cálculo da seção anterior. Se ainda não escolheu o modelo, a fonte e o conector que cada placa de entrada exige estão na comparação de melhor placa de vídeo custo-benefício.
- Confirme os conectores. Placas dedicadas costumam exigir conectores PCIe de 6 ou 8 pinos, e as mais novas usam o padrão 12VHPWR. Se a sua fonte não tem o conector, o adaptador é um remendo arriscado em fontes fracas.
- Se a fonte é genérica ou tem mais de cinco anos, considere trocar junto. Uma fonte antiga perde capacidade com o tempo, e não vale arriscar a placa nova.
Se você ainda está decidindo se precisa mesmo de uma placa dedicada, vale ver antes o que a gráfica integrada do seu processador já entrega em placa de vídeo integrada equivale a qual.
Sinais de que a fonte está com problema
A fonte raramente avisa que vai falhar, mas alguns sintomas apontam para ela:
- O PC desliga sozinho sob esforço, principalmente em jogos, e volta a ligar normalmente depois.
- Reinícios aleatórios sem tela azul nem mensagem de erro.
- Cheiro de queimado ou estalos vindos da parte traseira do gabinete, caso em que você deve desligar da tomada imediatamente.
- Ventoinha da fonte muito barulhenta ou parada com o PC ligado.
Vale separar os cenários: se o PC dá tela azul com código de erro, o caminho é outro, e está em tela azul no Windows. E se ele simplesmente não dá sinal de vida, o diagnóstico completo está em notebook não liga, que vale também para desktops na parte de energia.
Perguntas frequentes
Quantos watts de fonte eu preciso?
Some o consumo da placa de vídeo com o do processador, acrescente cerca de 100 W para as demais peças e adicione 30% de folga. Na prática, PCs de escritório pedem de 350 a 450 W, jogos com placa de entrada ficam bem com 500 a 550 W, e configurações mais fortes pedem de 650 a 850 W. Passar muito disso não traz ganho.
Fonte de 500W é suficiente?
Para a maioria dos PCs com placa de vídeo de entrada ou intermediária, sim, desde que seja uma fonte certificada. O problema é que muitas fontes genéricas de "500 W" entregam bem menos que isso na prática. Uma fonte de 500 W com selo 80 Plus atende melhor que uma genérica de 700 W.
O que significa o selo 80 Plus?
É uma certificação de eficiência que garante ao menos 80% de aproveitamento da energia da tomada, com níveis que sobem de Bronze a Titanium. Mais importante que a economia de luz, o selo é a prova de que a fonte passou por teste independente e entrega a potência que anuncia. Para a maioria, Bronze já é suficiente.
Fonte genérica pode queimar o PC?
Pode. Além de não entregar a potência anunciada, fontes sem certificação costumam não ter as proteções contra sobretensão, sobrecorrente e curto-circuito. Quando falham, podem levar junto placa-mãe, SSD ou placa de vídeo. É a economia que sai mais cara em hardware.
Como saber se a minha fonte aguenta uma placa de vídeo nova?
Olhe o rótulo lateral da fonte e procure a corrente da linha +12V: multiplique os amperes por 12 para saber os watts reais disponíveis. Compare com o consumo da placa nova mais o resto do sistema, com folga. Confirme também se a fonte tem os conectores PCIe exigidos, e desconfie de fontes genéricas ou com mais de cinco anos.
Vale a pena fonte modular?
Vale pela organização, não pelo desempenho: a energia entregue é a mesma. Na modular você conecta só os cabos que usa, o que melhora o fluxo de ar e a estética em gabinetes com visor. Se o orçamento é curto, priorize o selo 80 Plus e a potência correta antes de pagar pela modularidade.


